3.9.17

Fôlego

Pela posição da lua, o relógio talvez marque os ponteiros de alguma hora tarde da madrugada. Sentados no telhado, vemos nuvens voarem apressadas - para elas também seria um dia no meio da semana?

Camadas e camadas de vapor oceânico nos trazem chuva e dentro dela fagulhas de eletricidade. Busco abrigo na maciez da tua carne. Quanto mais perto mais aprendo. Me ensinam o toque dos teus dedos, tuas curvas e texturas. Aprendo com teus relevos uma gramatica oculta, uma pedagogia sensual e geográfica.

De repente respiro o ar que teu fôlego exala e me surpreendo atento aos feitiços da tua atmosfera. Acalentado no hálito doce dos teus sussurros, me somo às nuvens que passam quando evaporo em um gigante e infindável suspiro.