




estranho o fato de eu ter demorado tanto pra viajar, mesmo me sentindo tão preso aqui em Teresina. acontece que dei sorte. o festival de inverno de Pedro II, uma cidade de serra, no interior do Piauí, era em maio e eu estava com a cabeça em julho, então as coisas foram se encaixando. dinheiro foi aparecendo, as companhias, a estadia, parece que algo conspirava pra que desse tudo certo.
quatro dias de muito vento, noitinhas geladas e trilha sonora.
não sei direito, me sentia até suspenso. sem trabalhos de faculdade, aulas eternas, chateações em casa... troquei isso por ver nuvens passando e mutando bem rápido num horizonte azul e azul; por uma cachoeira de água gelada, massageando os ossos; por conversas amistosas e um bocado de sorrisos; troquei de lugar e de alma ritmando bossa nova.
fiquei na casa de uma família bem unida, que viviam com o essencial, com bom humor de sol a sol. sabe, quando você aprecia essas situações simples, o que vier a mais vai te surpreender. é uma questão de reeducar suas expectativas. daí, ver estrelas cadentes te deixa extasiado, a ponto de esquecer de fazer um desejo, bem talvez, porque eu já estava em um.
agora, levinho, com planos de voltar e outros de ir pra outros lugares, aqui mesmo, na meia árida, terra de bons amigos cheios de graça.