
Tenho esse par de sapatos, velho como as montanhas e igualmente empoeirado. Os cadarços estão folgados, mas não cedem ao nó. Ele agüenta cada largo passo, cada impulso. Penso neles agora, enquanto corro. Ouço trovões e não me importo.
Os primeiros pingos vêm suaves, dão lugar a gotas cada vez maiores para, finalmente, se juntarem no asfalto, que se transforma num rio. Estou à deriva. Escoro as costas em um muro. Abraço os joelhos meio sem jeito.
Há algo preso na minha garganta. É uma vontade desesperada, mas sem foco. Talvez um grito, um urro. A luz amarela dos postes de repente fraquejam, mas na verdade é meu fôlego. Meu corpo me trai - se recusa a voar.
Os primeiros pingos vêm suaves, dão lugar a gotas cada vez maiores para, finalmente, se juntarem no asfalto, que se transforma num rio. Estou à deriva. Escoro as costas em um muro. Abraço os joelhos meio sem jeito.
Há algo preso na minha garganta. É uma vontade desesperada, mas sem foco. Talvez um grito, um urro. A luz amarela dos postes de repente fraquejam, mas na verdade é meu fôlego. Meu corpo me trai - se recusa a voar.