27.4.11

Missing pieces

Bo Bartlett

Você me deixa algumas pistas. Com elas monto um quadro incompleto, sob o qual passeio os olhos durante muito mais tempo do que gostaria de adimitir, e não consigo decifrar. Recorro no erro de tentar completar os espaços que faltam com partes minhas, não suas. É o que tenho pra jogar, e percebo que tenho perdido a maioria das rodadas.

Respiro fundo, enfrento as horas. São vagas, arrastadas, nelas apenas existo. Te reconheço nas nuvens, nas manchas no teto, na escuridão íntima dos meus segredos. Penso em você por quase nada.

4.4.11

Pretend

David Ho

"Pensa que não entendo? Não parecer, mas ser. Estar alerta em todos os momentos. A luta: o que você é com os outros e o que você realmente é. Um sentimento de vertigem... e a constante fome de finalmente ser exposta. Ser vista por dentro, cortada... até mesmo eliminada. Cada tom de voz, uma mentira. Cada gesto, falso. Cada sorriso, uma careta. Cometer suicídio? Nem pensar. Você não faz coisas deste gênero. Mas pode se recusar a se mover e ficar em silêncio. Então, pelo menos, não está mentindo. Você pode se fechar, se fechar para o mundo. Então não tem que interpretar papéis... fazer caras, gestos falsos. Acreditaria que sim... mas a realidade é diabólica. Seu esconderijo não é à prova d'água. A vida engana em todos os aspectos. Você é forçada a reagir. Ninguém pergunta se é real ou não... se é sincera ou mentirosa. lsso só é importante no teatro. talvez nem nele. Entendo por que não fala, por que não se movimenta. Sua apatia se tornou um papel fantástico. Entendo e admiro você. Acho que deveria representar este papel até o fim... até que não seja mais interessante. Então pode esquecer... como esquece seus papéis."


- Persona, Ingmar Bergman