
Naquela época as crianças não achavam que a sala de música fosse um artigo luxuoso ou o forno de pedra um exagero culinário nem mesmo os quadros que tia Luine, ociosa, pintava, excentricidade. Simplesmente naqueles dias Pietro não sabia as palavras para descrever o amor pela vizinha, mas imaginava haver um universo de adjetivos ocultos na biblioteca do tio. Era uma casa de campo aonde, ás vezes, ia nas férias com seu irmão mais novo, enquanto os pais viajavam uma vez por ano para renovadas luas de mel.
Admitiu que Pierre - o nome que deu ao rato - vivera uma história de amor. Apaixonou-se por seu algoz. Talvez, não estivesse apenas inebriado pelas súplicas atraentes do queijo, mas arriscando-se por um momento real. É claro, essa foi a metáfora encorajadora que o levara a ir logo depois do enterro à casa ao lado, declarar-se e expor seu coração a certo sofrimento. Estava disposto a aventurar-se por um momento real.
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