5.6.08

landscape II






Ela teria dito, sem muita conversa, "feche os olhos".


"Existem tantas portas para acessar suas percepções. Algumas nunca experimentadas. Você sempre olha e estraga a surpresa, sempre quer ver... as mesmas coisas com nada de novo, mas seus olhos são duas objetivas preciosas e envelhecem, camada por camada, eles se cansam também e, sinceramente, nem sempre eles merecem”

Seu vestido florido tinha cores demais e surgia uma nova a cada balanço. Flutuava. Era mágico. Eu nem percebia. Muito do que acredito daquele tempo são da minha nova forma de lembrar. Mas nem sempre é tão colorido assim, algumas cores são cheias de despedida.

"Há tanto pra ver, é verdade. Você pode sempre escolher um novo ângulo, guardar um pouco de cada cena...”.

A gente jantou numa terça, num feriado bobo. Ela fez lasanha, mas era pra ser uma torta, ela confessou depois. Dormimos tão tarde que nem tínhamos mais sono. Ela fala enquanto dorme, mas só sonha acordada. Choveu um pouco de manhazinha. Fazia frio. Levantei primeiro e fiz o café, ela levantou logo que o cheiro se espalhou pela casa.

“... é um jogo injusto escolher e julgar. Não sei, é que explicar sem mostrar exige toda confiança do mundo. E se eu disesse... você entenderia? É igual sentir sem dar nome. O que é? No fim nem importa, você vai notar".