21.2.11

Borrões I

Neil Krug


É julho. Ele sabe por causa do calor. Comprou um relógio com um tipo de termômetro, marca a temperatura no canto do display. A poeira é a única coisa que se assemelha à chuva porque vem também em nuvens, então colore o cabelo de tons marrons alaranjados - que se tornou a cor dos seus pensamentos - e deixa um gosto suave de barro na língua.

Ele dirige bem acima da velocidade permitida, mas não há ninguém para detê-lo nessa parte do mundo. Quantas milhas percorridas? É um mistério já que estrada é uma sucessão de horizontes trêmulos. No entanto, não importa quanto afunda seu pé no acelerador ou aumenta o volume do rádio, ainda persiste um eco, insistindo em alcançá-lo e seus olhos ficam úmidos mais uma vez. Fogo incendeia o rastro dos pneus.