Estavam os cinco na sala, calados. Por um segundo seus olhares se cruzaram e formaram uma teia. Capturava, certamente, um vazio imenso. Eles poderiam conversar alguma bobagem, sem dúvida tinham coisas em comum e internamente, de certa forma, admitiam isso, mas não era constangedor. Era um silêncio tácito. Como o dos amantes que se separam antes do amanhecer e mantém sempre segredo.A garota em frente à tv gosta de violoncelo. Aquela magrela na ponta do sofá toca na orquestra estadual.
No chão, perto da porta, cabelos embaraçados e olhos baixos: gosta de dança contemporânea. O rapaz deitado do tapete, olhando para o teto foi expulso de casa por isso.
Quase dormindo, o baixinho apoiado no sofá, leu todos os livros de literatura francesa da biblioteca da escola antes do segundo ano.
Uma força os distancia ao passo que os torna tão semelhantes. Apáticos, bebem enquanto pensam em si – talvez esquecendo que os outros também fazem parte de nós, tantas vezes camuflados em nossas vozes.
Pensam em não ser compreendido tal qual esperam. São partes que aspiram encaixar-se. Muitas partes, entretanto estão dispostas no tabuleiro, muitos nomes, gostos, muitos caminhos às vezes para a mesma linha de chegada.
E se acham cansados, como se já fossem ex-combatentes de guerra – uma herança esvaziada de sentido. Velocistas, correram mundos e não fixaram raízes em nenhum.
Um comentário:
Me sinto cansada tb x.x
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