De segunda a sábado, depois das 10, fico atrás da linha amarela, como indica a segurança.
Imagino que, do nada, o chão se abrirá em boca faminta. Os trilhos, as luzes, as pernas piscarão. No próximo instante, sopa de gente, de aço e de gritos. Essa minha vontade repentina de tragédia e mudança.
Na plataforma dois, um pouco cansado, espero o último vagão para casa.
Saí ontem a noite, na cobertura havia uma banda animando o bar. O transito lá embaixo era só um jogo de iluminação. A lua parecia próxima, mas, àquela hora, não aceitava mais declarações. Meus pés na sacada admiravam a altura. Ela os convidou em resposta.
Estou no recuo da onda. Quilômetros de distância de areia, areia e depois o mar. Algumas horas adiante, vejo nossa cidade inundada. Sem ralo, sem sifão.
Serei aquele na praia. E vejo a onda que se retrai.
Nenhum comentário:
Postar um comentário