Já passa das nove, o jantar está frio. Os pratos, a sala, os detalhes: congelados. São dez horas. Chove um pouco. Estou aqui encharcado, lavando a louça e bebendo cerveja, com uma cara boba. Sinto um arrepio glacial e um gosto amargo, difícil de engolir.
Mais cedo, esperei soar a campainha e antes disso o telefone. Um silêncio terrível tentou ameaçar, mas o volume da televisão foi um escudo - enfim, descobri a função dela. É uma pena, me convenço, está ficando cada vez mais tarde.
Percebi atrasado, acho. Quantos outros sinais, antes dos óbvios? Perco o sono para procurar respostas com prazo de validade vencido há muito. Já não faço parte do plano. Ejetado da cabine, às vezes flutuo, outras desabo.
É meia noite e olho para a porta pela qual você não vai mais entrar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário