9.5.11

Mesa posta


Já passa das nove, o jantar está frio. Os pratos, a sala, os detalhes: congelados. São dez horas. Chove um pouco. Estou aqui encharcado, lavando a louça e bebendo cerveja, com uma cara boba. Sinto um arrepio glacial e um gosto amargo, difícil de engolir.

Mais cedo, esperei soar a campainha e antes disso o telefone. Um silêncio terrível tentou ameaçar, mas o volume da televisão foi um escudo - enfim, descobri a função dela. É uma pena, me convenço, está ficando cada vez mais tarde.

Percebi atrasado, acho. Quantos outros sinais, antes dos óbvios? Perco o sono para procurar respostas com prazo de validade vencido há muito. Já não faço parte do plano. Ejetado da cabine, às vezes flutuo, outras desabo.

É meia noite e olho para a porta pela qual você não vai mais entrar.

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