7.9.10



Infelizmente não é assim que funciona. A partir de agora todas as outras mulheres que conhecer serão, em maior menor medida, uma comparação sua. Enquanto você fala, imagino a tragédia dos próximos dias. Não é só uma quebra de rotina. É uma febre. Febre de ausências. Tem essa mancha nos seus óculos que na verdade é uma rachadura. Enxergo-me duplo no reflexo: meio a meio, uma parte é só desordem e a outra parte é reconstrução.

Então por um momento eu não te ouço, te vejo embaçada. Vou aos poucos me transportando, vendo as coisas como em um filme, ou nos quadros de uma comic. À distância. Não sei quais são minhas falas. Quem as levou? Você diz que era isso que tinha para dizer. Balanço rapidamente com a cabeça, aperto a lingua entre os lábios. Me percebo preenchido com uma enorme necessidade de dizer algo tão confortável quanto um abraço, mas não consigo juntar as palavras a tempo. Impaciente você pega suas coisas, me olha um pouco chateada e dá as costas. Quase a chamei de volta, mas só admirei a certeza dos seus passos.

Um comentário:

Priscila Lima disse...

estranha a sensação de observar as pessoas irem...