7.3.12

Proibida

Me proíbam de abortar. Não me deixem fazer uma tatuagem, de fazer mais um furo na orelha, trespassando a cartilagem. Me proíbam de xingar, de tentar suicídio, de dirigir alcoolizada, de brigar na rua, de fumar de madrugada, de entrar na internet. Me parem quando tentar pôr o volume no máximo ou quando deixar a luz acesa ao sair do quarto, a pia derramando água. Me proíbam, me parem se eu fugir de casa, se eu for mal na universidade. Proíbam meus gritos. Não me deixem entrar pra esquerda. Proíbam meu "revoluir". Contenham urgentemente minhas loucas manias, todas as poesias e os meus sonhos febris. Me proíbam, porque assim quem sabe luto. Assim quem sabe, proibida, enxergue a liberdade.

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