Ela falava do fundo do mar. Da pressão, do escuro e do frio.
Das ondas subaquáticas, dos embates sísmicos nas profundezas e toda uma série
de fenômenos que não existem na superfície. Se encanta com os seres que brilham
no escuro e outras criaturas fantásticas. Monstros marinhos escondidos nas fissuras de abismos.
Imersa, seu mergulho é alucinante. Não há ar suficiente para
voltar. Teríamos que desenvolver uma nova forma de respirar, um novo corpo para
nos sustentar e uma nova mente para lidar com o vazio abissal. Mas, e nessa
hora ela suspira, ela diz que estamos ancorados no continente com nossos corações
cheios de nós, amarrados. Nossos olhos cheios de desejos, ancorados. Tudo que
temos são ondas, areia e espuma.
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