12.12.15

Cobalto


Olha Cecília, construí um robozinho! Olha Cecília, ele pisca os olhinhos, como se reagissem à luz que vem da luminária. Tá vendo essa placa de metal dourado? Debaixo dela pus um circuito de memória, onde os fios se cruzam e umas luzes acendem iluminando o nome que gravei. O robô se chama Cobalto, é a cor dos seus olhos no fim da tarde, Cecília. O que ele faz? Bom que você perguntou! Muito bom... Vejamos aqui. Aperta esse botão. Espera, espera. Bonito né? Essa estrela que ele projeta na parede é uma roda de Plutchik, te falei dele semana passada, lembra? Cada matiz é uma emoção, ou uma síntese de sentimentos. O Cobalto mede as ondas invisíveis do ambiente e diz quais os sentimentos mais constantes nele. Algumas pessoas conseguem fazer a mesma coisa de um jeito intuitivo, conseguem captar algo que chamam de ressonância. O Cobalto combina variáveis, Cecília, escuta a frequência cardíaca, mede a temperatura dos corpos, a velocidade da respiração, a eletricidade dos nervos, a tudo isso ele fica atento. A gente pode regular pra que ele diga os mais predominantes. Vê ai na parede, um pouco de amarelo, de verde e azul clarinho. Se você conferir aqui nesse poster que imprimi o significado das cores ele quer dizer uma coisa que eu não consigo, Cecília. Se é verdade? Você me diz: é o que você tá sentindo? Então funcio... 


[E os dois cientistas se encaram mudos, enquanto o robozinho de costas douradas irradia uma mini aurora boreal de aceitação, júbilo, surpresa e confiança. Cobalto emitia as cores de um beijo].

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